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Exclusivo: falamos com o CEO da AIMEC

Exclusivo: falamos com o CEO da AIMEC

Que a AIMEC é uma das maiores escolas para DJs e produtores musicais no Brasil, e vem formando profissionais há alguns anos, isso todos nós já sabemos.

Vencedores do último prêmio BRMC, como a melhor escola de DJs e Produtores, a AIMEC traça novos planos e voos audaciosos para 2018. Quem nos conta isso é o CEO da escola, André Motta. Em entrevista exclusiva, ele falou sobre as mudanças que ocorrerão na escola esse ano, avalia a primeira temporada da AIMEC no Rio de Janeiro, além de novas ações e experiências que a escola pretende proporcionar a seus alunos.

André mostrou também o seu olhar sobre o papel e a participação das mulheres no cenário da música eletrônica e, além disso, uma ótima notícia: ainda esse ano, a AIMEC terá sua expansão no território europeu. Confira o bate-papo abaixo.

Brazil Music Conference: Qual a maior lição que você aprendeu durante todo o tempo de empreendedorismo na cena eletrônica brasileira?

André MottaConsiderando que atuo como DJ a 29 anos e empreendo a 11 anos nessa área, sem dúvida a maior lição é que nesse mercado nada é estático. Do final da década de 90 pra cá o mercado mudou radicalmente, a tecnologia mudou radicalmente e ter a mente sempre aberta ao entendimento dessas mudanças é vital ao negócio.

BRMC: Este ano a AIMEC vai implementar novos cursos (versão 3.0) e adequação à linguagem das novas gerações. Quais serão as maiores mudanças em relação a 2017?

AM: Material didático e método de ensino sempre foi o nosso ponto mais forte, esse é o principal motivo que levou a AIMEC a virar uma rede. São 14 anos de ensino de musica eletrônica no Brasil, já começaram a aparecer casos de alunos formados no passado matriculando seus filhos hoje. Então é inevitável a mudança de linguagem. No material de 2017 ainda eram atualizações da versão 2.0 de 2012. Agora quase nada foi aproveitado, os métodos de ensino são totalmente novos. Além disso arrisco dizer que somos a única escola do segmento no Brasil a usar LMS (Learn Management Systems) desde 2013. Com essa tecnologia e uma nova filosofia de ensino, o material 2018 (versão 3.0) é uma mudança expressiva, com textos mais enxutos e diretos, ambiente totalmente multimídia, com vídeos ilustrativos, imagens explicativas, questionários de auto correção e métricas para medição de desempenho dos alunos muito mais eficientes. O aluno ainda tem sua apostila multimídia no bolso o tempo todo através de App instalado em seu celular.

A mulher tem uma visão diferente do que querem, e geralmente quando estão dispostas a enfrentar novos desafios são mais focadas do que os homens. Aqui na AIMEC já sentimos um crescimento considerável, no ultimo levantamento feito, que foi de 2015 para 2016 o crescimento de mulheres matriculadas aumentou quase 40%.

BRMC: Como você, como CEO da AIMEC, enxerga o papel da mulher na música eletrônica, e como anda o interesse delas em aprender e entrar nesse mercado?

AM: Eu acho ótima essa participação ativa das mulheres, acho que até demorou, esse mercado sempre foi muito masculino. A mulher tem uma visão diferente do que querem, e geralmente quando estão dispostas a enfrentar novos desafios são mais focadas do que os homens. Aqui na AIMEC já sentimos um crescimento considerável, no ultimo levantamento feito, que foi de 2015 para 2016 o crescimento de mulheres matriculadas aumentou quase 40%. Antes tínhamos sala do curso de DJ com uma ou nenhuma mulher, hoje já ocorreram casos de salas com mais mulheres do que homens. No curso de Produção Musical ainda é mais tímido, mas hoje raramente temos salas de produção que não tenha pelo menos uma ou mais mulheres.

BRMC: Como foi o primeiro ano da AIMEC no Rio de Janeiro, quais foram as maiores dificuldades em relação à adaptação do novo local e como estão os preparativos para o segundo ano?

AM: Em levantamentos estatísticos percebemos que o Rio de Janeiro tem uma incidência muito grande de alunos que se deslocam para nossas sedes, esse é um dos motivos que fizemos essa primeira experiência presencial no Rio através de um curso itinerante. Foi em Dezembro de 2017 com sucesso total. Como se trata de instalação itinerante, o maior desafio foi encontrar um local bem estruturado e bem localizado para alugar, deslocar equipe de outras sedes, alugar grande parte dos equipamentos, montar salas com condições similares a que já temos nas sedes rotineiramente e proporcionar para o aluno uma experiência com o curso exatamente igual. O ponto de equilíbrio financeiro para viabilizar também foi desafiador. Não posso deixar de destacar que grande parte do sucesso dessa ação se deve esforço dos nossos parceiros e sócios no projeto, Roger Lyra e Rafael Nazareth, nossos braços no Rio de Janeiro hoje.

O modelo deu muito certo e já temos alunos matriculados para a segunda temporada que acontecerá em Julho. Quem sabe em um futuro próximo estaremos com uma sede fixa no Rio.

BRMC: É verdade que a AIMEC vai pro exterior? Como está sendo esse processo? Como chegou à conclusão de que Portugal seria a melhor escolha para essa nova empreitada?

AM: Sim, é verdade. A AIMEC já está organizando tudo para que ainda esse ano uma sede seja instalada em Portugal. O local já existe e está em obras, já temos uma agencia contratada que cuidará da comunicação por lá, o material didático do Brasil está sendo traduzido e estará disponível em Português e Inglês. A escola será instalada em Lisboa e o casal Antonio e Luísa sócios da AIMEC Balneário Camboriú e Florianópolis, que são portugueses, deram o start no projeto. O quadro societário ficará Antonio Penalva, Luísa Pyrrait, Allan Gee (sócios das sedes Blaneário e Forianópolis) e Bernardo Maciel (sócio na sede Portugal). Com esse primeiro passo ficará mais fácil expandir para outros pontos da Europa.

BRMC: Sobre o “DJ Coach” (em parceria com a QG agência), como vai funcionar? Conte-nos mais sobre qual será o papel de cada um no processo.

AM: A AIMEC sempre promoveu campeonatos, concursos e batalhas para DJs e produtores, como DJ Talent, DJs Tournament, Desafio DJ, além dos concursos de remix, mas nunca uma seleção de Coach como essa.

A idéia é desenvolvermos os talentos estão precisando de uma força e muitos conselhos vindos diretamente de profissionais já consagrados no mercado. Iremos selecionar 10 DJs participantes que vão atravessar o ano de 2018 tendo a oportunidade de estar lado a lado de players mais importantes do cenário local através de workshops e palestras exclusivas, além de se apresentarem em eventos e clubs através de festas de núcleos atuantes nos estados do Paraná e Santa Catarina. Alguns dos coachs confirmados são: Equipe AIMEC Brasil, Equipe QG Agency, e ainda, Alan Medeiros, Albuquerque, Ale Reis, Blancah, Bry Ortega, Carlos Pinheiro, Fabrício Peçanha, Fancy Inc, Gromma, Igor Rodrigues, Kaka Franco, Leozinho, Nazen Carneiro.

Para essa ação específica, o estado de São Paulo e Rio Grande do Sul não participam.

BRMC: Soubemos da tour com o curso “Os segredos do campeão com Erick Jay”, único brasileiro campeão mundial de turntablism pelo DMC. Como será essa experiência?

AM: Bom, na verdade é mais que um curso, é uma ação colaborativa. O Erick Jay, buscou por toda a vida esse titulo que foi conquistado em 2016, e pra nós DJs brasileiros tem que ser um motivo de orgulho. Como campeão, o Erick pode ir para a final mundial sem eliminatórias para tentar manter o titulo com o Brasil. Todos nós sabemos que viajar e se hospedar em Londres não é barato, mas o Erick teria que arcar com essas despesas. Então a AIMEC em parceria com o Start DJ Contest (campeonato de turntablism on line), resolvemos organizar essa tour, e os valores arrecadados no curso serão convertidos para levar o Erick para Londres.

No curso o Erick irá ensinar inúmeras técnicas que servirá para estimular a criatividade de DJs de qualquer gênero (House, Techno, hip hop, etc..), e de qualquer tecnologia, pois será usado no curso toca-discos, CDJs e controladores, além de softwares de edição de áudio para montagem de DJ Tools.

BRMC: A escola pensa em implementar algum projeto social de integração com pessoas de baixa renda?

AM: Esse é um assunto que já discutimos várias vezes, eu mesmo já participei de várias reuniões com possíveis parceiros e empresas captadoras de projetos, mas nunca foi de fato concluído por vários motivos que inviabilizaram. Precisaríamos de alguns parceiros nosso lado nessa empreitada. Por outro lado já realizamos diversas atividades sociais, mas em forma de oficinas, palestras, workshops, doações de valores arrecadados, recolhimento de alimentos, etc… mas o que gostaríamos de proporcionar para um projeto desse é o curso inteiro nos mesmos moldes.

BRMC: O que você diria para as pessoas que sonham em aprender a tocar e/ou produzir, mas muitas vezes têm medo ou se acham incapazes?

AM: O único pré-requisito que existe para aprender a tocar ou produzir é vontade. Já tivemos o caso do Leonardo Freire de Jaguariuna, que não enxerga, mas concluiu o curso de DJ com louvor e tocou em grandes eventos, dois ao lado e com apoio do Alok. Tem outro caso que foi o nosso maior desafio, o Tico Mazzei de Juiz de Fora, que tem deficiência auditiva severa. Imagina pra nós ensinar a ser DJ uma pessoa que não ouve!! Nem por isso o Tico e nem nós desistimos, por fim tivemos resultados surpreendentes. Obviamente nos dois casos o curso foi particular e adaptado para as duas realidades. Então fica claro que para quem realmente quer, enfrenta, persiste e por consequencia consegue. Nós estamos aqui pra isso, tornar o sonho dos nossos alunos realidade.


BRMC: Pensando ainda em internacionalização, qual a visão de mercado da AIMEC sobre a América Latina, especificamente? Há espaço e demanda para uma atuação da escola nos países vizinhos?

AM: Eu acredito que sim, talvez menos trabalhoso de se instalar do que na Europa pela proximidade, mas ainda não temos isso muito claro, não temos testes de mercado e nem estatística para saber como nossa marca ecoa nesses países. Nunca realizamos ações nesses territórios, só fizemos o caminho contrário, trazendo em 2008 uma parceria com a escola Sonica de Buenos Aires, Argentina, recebendo como professor Javier Consentino, além de Gustavo Bravetti do Uruguai em Curitiba ambos cursos presenciais.

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