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ENTREVISTA: ALEX STEIN @ RIOMUSICCONFERENCE.COM.BR

ENTREVISTA: ALEX STEIN @ RIOMUSICCONFERENCE.COM.BR

Entrevista: Alex Stein conta detalhes de sua última tour internacional

Entrevistamos Alex Stein: “A vibe do público turco é demais!”

 

Oi Alex, tudo bem? Antes de mais nada, obrigado por nos atender. Como foi sua última turnê pela Europa?
E aí pessoal do RMC! Tudo ótimo e muito obrigado vocês por me receberem. Essa turnê foi maravilhosa,  assim como  geralmente tem sido. Toda nova experiência fora do país é sempre muito gratificante, é muito bom poder passar por vários países em pouco tempo conhecendo culturas e  pistas de dança diferentes. Com certeza as minhas viagens ao exterior são uma das minhas maiores inspirações.

Pelo vídeo que você publicou em sua Fan Page, o Kafes, de Istambul, deve ter sido um dos highlightsda tour, certo?
Com certeza. O KAFES é um dos meus clubs preferidos no mundo todo.  A vibe do público turco é demais e aquele club em especial tem uma atmosfera muito legal, principalmente de manhã quando o sol começa nascer e você vê o mar ao fundo. A galera lá não quer ir embora, sempre conhecem as minhas músicas e respondem super bem, além de adorarem um long set. Como não amar eles?!

Você tem descendência alemã? Como começou seu interesse pela música eletrônica e especificamente pelo Techno?
Tenho. Toda a família por parte de mãe é alemã. Eu nasci no Brasil mas logo depois me mudei para Alemanha onde cresci até os seis anos de idade. Depois disso voltamos para o Brasil e só muito tempo depois, quando resolvi estudar engenharia de áudio, é que tive meu primeiro contato com Techno, no Cocoon Club, em Frankfurt. Eu já tocava há algum tempo e estava começando a produzir. A partir disso passei a frequentar mais e mais eventos do gênero enquanto terminava a faculdade na Alemanha e, consequentemente, me interessei cada vez mais por esse som, até o momento que passei a produzir, ou melhor, tentar produzir Techno. Foi aí que nasceu essa paixão.

Você faz parte de um seleto grupo de brasileiros produtores que tem lançado suas músicas com certa facilidade por selos internacionais. Faltam mais selos competentes na cena brasileira para dar suporte à grande demanda de produtores nacionais?
O Brasil tem muitos produtores extremamente competentes e esse número cresce cada vez mais,  mas realmente ainda não temos muitas gravadoras aqui no Brasil para suprir a quantidade de música boa que o pessoal tem feito. Lançar em selos internacionais não é e nunca foi fácil. Tive muitas respostas negativas até conseguir um sim. Muitos e-mails que eu mandei com demos jamais foram respondidos e outros foram respondidos com a famosa frase ‘tá legal, mas não é pra gente’. É uma questão de perseverança e fé.

Como foi o processo de lançamento da “Aurora” pela Suara, por exemplo? Por favor, conte-nos sobre todo o processo, desde a criação até a conversa com o A&R da gravadora para viabilizar o release.
Pois é, taí uma história interessante. ‘Aurora’ foi criada em algumas horas em um momento no qual eu não estava procurando algo específico, só deixei a música fluir. O lance da Suara foi muito legal, porque eu nunca tinha mandado demos para eles por achar que não teria resposta. Comentei em um post do Coyu parabenizando ele por uma atitude legal que ele teve e para minha surpresa ele respondeu agradecendo e elogiou meu último release, na época era meu EP pela Sincopat. Pensei comigo ‘nossa ele sabe quem eu sou, acho que vou mandar umas demos!’ – e mandei. Ele separou algumas tracks para tocar e já estava tudo certo, aí enviei a ‘Aurora’ pra ele só pra ver o que achava e a resposta foi: ‘Isso é especial, vamos lançar essa agora em 15 dias e as outras fazemos depois’. Foi assim que rolou.

Ainda falando sobre produção e lançamentos, acabei de ver que em breve você vai lançar pela gravadora do Oliver Huntemann, a Senso Sounds, certo? Já temos data de lançamento?
Estou bastante feliz com esse EP. Lançar na Senso sempre foi um sonho, então a emoção é grande. O release vai sair na última semana de novembro e vai ter uma track minha e do meu amigo KALIL chamada ‘Atomkraft’, que está funcionando muito bem nas pistas, além de um remix do André Winter para a minha faixa ‘Zeit’. Mal posso esperar!

Que outras novidades você pode nos adiantar para este ano?
Além do EP na Senso ainda vou lançar um remix pela Dear Deer Records e mais um pela Jannowitz Records. Fora isso tenho algumas que não posso divulgar ainda e estou terminando uma porrada de música nova, então tem muita coisa boa por aí.

Ao final do ano passado, durante o RMC São Paulo, todas as previsões dos profissionais da área para 2017 eram catastróficas em termos de faturamento. Para você, como artista, considerando unicamente o mercado nacional, como estão as coisas em relação ao mesmo período do ano passado? Pior, igual ou melhor?
Honestamente acredito que para mim as coisas estão melhores. Em alguns casos até tenho finais de semana menos corridos mas as gigs em si têm sido muito mais prazerosas. Infelizmente a cena está sofrendo um pouco, fechamento de alguns clubs e outros problemas, mas acredito que são ciclos se encerrando para que novos possam começar, faz parte da montanha russa que é a vida.

Se alguém ou alguma circunstância da vida lhe obrigasse a escolher entre discotecar ou produzir, com qual das duas atividades você ficaria?
Produzir, com certeza!

Qual região do Brasil hoje é a mais “inclinada”, digamos assim, ao Techno? Aquela na qual você vai tocar e é sempre “tiro certo”, garantia de vibe na pista…
Olha, esse tipo de coisa às vezes pode ser difícil dizer mas acho que o Sul do país leva o primeiro lugar, dificilmente o pessoal não está animado e as pistas lá costumam ser muito educadas musicalmente.